No 32.ºCNMI realizou-se a sessão MI25/26 dedicada ao tema “O que há de novo em… Obesidade”, na qual Joana Louro participou como palestrante, destacando a evolução do conhecimento científico e a necessidade de uma nova abordagem desta patologia na prática clínica.
A especialista sublinhou a relevância do tema, enquadrando a obesidade como uma doença crónica de elevada complexidade e impacto transversal. “A obesidade é uma doença crónica, complexa, progressiva, multifatorial e recidivante que afeta potencialmente todos os órgãos e sistemas e tem grande impacto na saúde mental. Não é apenas um problema de saúde, é um problema prioritário de saúde pública”, referiu, destacando ainda o papel central da adiposidade disfuncional na fisiopatologia da doença e na sua associação a múltiplas comorbilidades.
Joana Louro enfatizou que são estas comorbilidades, em particular a patologia cardiovascular, que mais frequentemente chegam à prática diária da Medicina Interna, contribuindo para a carga de doença e mortalidade. Nesse sentido, defendeu a importância do reconhecimento precoce da obesidade enquanto doença baseada na adiposidade, bem como da sua correta estratificação e tratamento. “Reconhecer esta doença baseada na adiposidade, diagnosticar, estratificar e tratar precocemente permitirá alterar a progressão da doença com ganhos significativos em saúde”, afirmou, reforçando a ideia da obesidade como “doença mãe” de múltiplas patologias do espectro da Medicina Interna.
A sessão incidiu sobre vários pontos-chave, nomeadamente a mudança de paradigma na abordagem da obesidade e no conceito de saúde metabólica, a relevância do contínuo cardio-reno-metabólico e a importância do diagnóstico e tratamento precoces. Foram também discutidas as mais recentes evidências científicas, com destaque para os avanços na área terapêutica, que têm vindo a transformar a abordagem desta doença.
Relativamente ao 32.ºCNMI, Joana Louro destacou a importância do congresso enquanto momento de partilha, reflexão e atualização científica. “É sempre um momento de partilha, de encontro e de excelência científica. Um momento anual incontornável no calendário da Medicina Interna e particularmente importante para os internos. Para fazermos mais e melhor pelos nossos doentes também precisamos de parar, refletir, pensar em conjunto, atualizar-nos cientificamente e definir estratégias diferenciadoras”, afirmou.
As expectativas para o congresso foram igualmente elevadas, com a especialista a manifestar confiança na qualidade do evento. “Com esta comissão organizadora? As expectativas são gigantes e tenho a certeza de que não serão defraudadas… É uma equipa verdadeiramente incrível!”, concluiu.