A primeira conferência do 32.º Congresso Nacional de Medicina Interna, dedicada ao tema “Inflamação”, foi apresentada por Carlos Vasconcelos, que refletiu sobre o papel transversal da inflamação na doença e os desafios atuais associados ao desenvolvimento de novas terapêuticas dirigidas aos mecanismos imunológicos.
O especialista começou por destacar que a inflamação constitui “um processo vital, comum a quase todas as doenças”, assumindo atualmente particular relevância devido ao crescente número de terapêuticas disponíveis dirigidas a diferentes componentes das vias inflamatórias. Carlos Vasconcelos salientou que, embora a inflamação seja essencial para a vida, a ausência de mecanismos adequados de regulação pode conduzir a situações graves e potencialmente fatais. Como exemplo, referiu a pandemia de COVID-19, em que a resposta inflamatória descontrolada teve impacto determinante na evolução clínica de muitos doentes.
Ao longo da sessão, o orador sublinhou a importância de compreender as diferentes vias imunológicas envolvidas nas doenças inflamatórias, considerando este conhecimento essencial para a utilização adequada das novas terapêuticas biológicas e biotecnológicas. “É essencial conhecer as diversas vias imunológicas que podem ser usadas nas diversas doenças inflamatórias, para se poder utilizar eficazmente alguma das novas terapêuticas biológicas/biotecnológicas”, afirmou.
Carlos Vasconcelos aproveitou ainda a ocasião para refletir sobre o papel da Medicina Interna no panorama atual da Medicina. O especialista defendeu que a especialidade continua a assumir um lugar central na abordagem global do doente, apesar da crescente diferenciação médica. “A Medicina Interna é a mãe de todas as especialidades da área médica do adulto”, afirmou, alertando para o risco de reduzir o doente à análise isolada dos diferentes órgãos ou sistemas.
Nesse sentido, destacou que “o doente nunca se poderá reduzir à análise aprofundadíssima dos seus componentes”, defendendo que a verdadeira relevância do conhecimento especializado só é alcançada quando se observa “a pessoa-doente no seu global”. Para Carlos Vasconcelos, os congressos de Medicina Interna desempenham um papel essencial ao reforçarem esta visão integradora da prática clínica e ao promoverem o orgulho na identidade do internista.
Relativamente ao 32.º Congresso Nacional de Medicina Interna, o especialista afirmou ter expectativas elevadas, salientando a importância da organização do encontro por médicos que exercem fora dos grandes centros hospitalares. Na sua perspetiva, esta realidade contribuiria para “um olhar diferente sobre a atividade do Internista”, enriquecendo a discussão científica e aproximando-a dos desafios reais enfrentados na prática clínica diária.