A “Tarde do Jovem Internista”, integrada no 32.º CNMI, organizado pela SPMI, dedicou um dos seus momentos ao tema “Doutoramento durante o internato”, apresentado por Nuno Aleman Serrano, num espaço de reflexão sobre investigação clínica e desenvolvimento académico na especialidade. A sessão contou ainda com a participação de Inês Ferreira, que abordou o tema “Medicina Humanitária durante o Internato”, trazendo a perspetiva do voluntariado e da experiência humanitária na formação médica.
Nuno Aleman Serrano sublinhou o papel central da investigação na evolução da Medicina Interna, destacando a sua ligação direta à inovação e à melhoria dos cuidados prestados. “A investigação clínica assume um papel central na evolução da Medicina Interna, sendo essencial para a produção de conhecimento, inovação terapêutica e melhoria contínua da nossa prática clínica”, afirmou.
Nesse contexto, destacou ainda a importância das bolsas de doutoramento da SPMI, referindo que “constituem um incentivo particularmente relevante, ao apoiar o desenvolvimento académico dos internistas e promover uma maior integração entre atividade clínica e investigação”.
Ao longo da sessão, Nuno Aleman Serrano explicou o enquadramento do programa de bolsas de doutoramento da SPMI, incluindo critérios de elegibilidade e objetivos, e partilhou a sua experiência pessoal enquanto bolseiro. O médico encontra-se a desenvolver o Doutoramento em Medicina no Instituto de Farmacologia e Neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em colaboração com o MUHCRI, num projeto centrado em doenças neurodegenerativas e epilepsia.
A sessão procurou também apoiar os internos interessados em desenvolver investigação durante a formação, apresentando diferentes percursos possíveis. “A sessão pretende ser um espaço útil para os internos que queiram perceber as diferentes formas de desenvolver investigação durante o internato”, referiu, salientando que estas podem ir desde percursos estruturados como o doutoramento até à integração em projetos científicos.
Complementando esta reflexão sobre percursos formativos diferenciadores, Inês Ferreira destacou a relevância da Medicina Humanitária durante o internato, considerando que o voluntariado representa “uma oportunidade de crescimento, não só profissional, mas também humano”. A internista sublinhou que estas experiências permitem desenvolver competências de adaptação em contextos desafiantes e promovem “uma prática médica mais centrada na clínica e na relação com o doente, não tão dependente dos meios complementares de diagnóstico”.
Na sua intervenção, Inês Ferreira partilhou a experiência vivida durante períodos de voluntariado e o impacto dessas vivências na sua formação enquanto internista. A sessão procurou evidenciar de que forma experiências em contexto humanitário podem contribuir para uma abordagem mais humana, resiliente e abrangente da prática clínica.
O orador destacou ainda a importância da articulação entre prática clínica, investigação e docência, defendendo uma abordagem mais integrada e crítica da Medicina Interna. Também Inês Ferreira valorizou o 32.º Congresso Nacional de Medicina Interna enquanto “um momento privilegiado de partilha científica, atualização de conhecimentos e encontro entre internistas de diferentes gerações e áreas de interesse”.
Relativamente às expectativas para o congresso, Inês Ferreira afirmou esperar “um congresso com discussão científica de qualidade, oportunidades de aprendizagem e troca de experiências entre colegas de todo o país”, reforçando o espírito de partilha e crescimento que marcou a “Tarde do Jovem Internista”.