A sessão “Controvérsia 2”, dedicada ao tema “Diabetes tipo 1” trouxe para discussão a evolução profunda na abordagem desta doença ao longo do último século.
Mónica Reis, oradora da sessão, destacou a transformação radical na história natural da Diabetes tipo 1, sublinhando o impacto determinante da descoberta da insulina. “A Diabetes tipo 1 apresenta-se numa mudança de paradigma absolutamente extraordinária. Há 100 anos a descoberta da insulina deu a estas pessoas a possibilidade de sobreviverem, vivendo e convivendo para sempre com a diabetes”, referiu.
A especialista salientou que, atualmente, o foco clínico se desloca cada vez mais para a deteção precoce e para intervenções capazes de modificar a evolução da doença. “Cem anos depois falamos de rastreio precoce da Diabetes tipo 1 numa doença que surgia habitualmente de uma forma algo súbita e muitas vezes ‘catastrófica’; falamos de terapêuticas que atrasam o surgimento da doença, que permitem e dão tempo para se adaptar à doença na sua plenitude”, afirmou. Acrescentou ainda: “Quem sabe o que mais poderemos esperar desta linha de investigação e de evolução na abordagem da Diabetes tipo 1?”
A intervenção centrou-se assim na importância do diagnóstico atempado e nas novas perspetivas terapêuticas, numa patologia que tem vindo a beneficiar de avanços significativos na investigação e na prática clínica.
Relativamente ao 32.º CNMI, Mónica Reis destacou o valor do congresso enquanto espaço de partilha científica e reflexão clínica. “O CNMI é um momento importante de reencontro pessoal, de partilha de conhecimento científico e da sua aplicabilidade à vida prática do dia a dia de um internista”, referiu, acrescentando a particularidade desta edição, realizada no Algarve, “na minha terra, na certeza de que Lagoa nos receberá de forma excecional, assim como toda a equipa da ULS Algarve”.
A especialista deixou ainda uma reflexão sobre o papel da Medicina Interna no contexto do sistema de saúde atual, sublinhando a necessidade do seu reconhecimento e valorização. “Espero que este 32.º CNMI possa ultrapassar o universo da Medicina Interna e demonstrar a sua importância e a necessidade do reconhecimento efetivo da mesma”, afirmou. Defendeu ainda que as instituições com poder de decisão devem “repensar o modo como a Medicina Interna se encontra nos dias de hoje e encarem e estabeleçam novas dinâmicas apelativas e construtivas de uma Medicina Interna fascinante”.