O “Encontro com o Especialista 8”, integrado no programa científico do congresso, foi dedicado ao tema “Abordagem integrada do doente malnutrido”, com apresentação de Inês Figueiredo, que destacou a malnutrição como um dos problemas mais frequentes e subvalorizados na prática clínica.
A especialista sublinhou a elevada prevalência desta condição, bem como o seu impacto transversal nos resultados clínicos. “A malnutrição é uma das condições mais prevalentes, subdiagnosticadas e subtratadas na prática clínica diária. Afeta entre 30 a 50% dos doentes hospitalizados e uma proporção muito significativa de idosos e doentes crónicos na comunidade”, referiu.
Inês Figueiredo descreveu a malnutrição como uma verdadeira “doença dentro da doença”, com consequências diretas no prognóstico e na resposta terapêutica. “Não só agrava o prognóstico, aumenta complicações, prolonga internamentos e eleva custos, como também diminui a eficácia de outros tratamentos”, afirmou, reforçando a necessidade de uma abordagem estruturada e precoce.
Durante a sessão, a especialista destacou a importância de ferramentas validadas de rastreio nutricional, como NRS-2002, MUST e MNA-SF, bem como a utilização dos critérios GLIM para diagnóstico estruturado da malnutrição. Referiu ainda a relevância da estratificação de gravidade e da intervenção nutricional individualizada e multimodal, sublinhando os desafios da sua implementação na prática clínica.
“Hoje a nutrição clínica não é um apoio complementar, mas sim um tratamento de primeira linha que deve fazer parte do plano terapêutico de todo o doente malnutrido ou em risco”, salientou.
Relativamente ao enquadramento da sessão, Inês Figueiredo destacou a importância do congresso enquanto espaço de atualização e reflexão clínica. “O Congresso Nacional de Medicina Interna é o maior evento científico da especialidade em Portugal e representa uma excelente oportunidade de atualização, partilha de experiência e debate entre internistas de todo o país”, afirmou.
A especialista sublinhou ainda o papel central da Medicina Interna na gestão do doente complexo e a relevância de temas transversais como a nutrição clínica. “Numa altura em que a Medicina Interna assume cada vez mais um papel central na gestão de doentes complexos, este congresso é o espaço privilegiado para discutir temas como a nutrição clínica”, referiu.
Quanto às expectativas, Inês Figueiredo mostrou-se confiante no impacto da sessão na prática clínica. “Espero que a sessão contribua para aumentar a sensibilização dos internistas para este problema e que mais colegas adotem o rastreio sistemático e a abordagem GLIM no seu dia a dia”, afirmou, destacando ainda a importância da discussão sobre articulação entre níveis de cuidados e implementação de novas políticas de comparticipação nutricional.