A mesa-redonda dedicada à Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), na qual Alvar Agustí participou por videoconferência com uma intervenção centrada no tema “Fenótipos e tratamento personalizado na DPOC”, contribuiu para uma reflexão atualizada sobre a abordagem desta patologia na prática clínica.
O especialista destacou a relevância do tema, sublinhando a complexidade e heterogeneidade da DPOC enquanto doença crónica frequente na prática clínica. “A DPOC é uma doença complexa e heterogénea, com diferentes fenótipos, endótipos e etiotipos. Por esta razão, um tratamento personalizado é essencial”, referiu, reforçando a necessidade de uma abordagem individualizada e ajustada às características de cada doente.
Abordou pontos-chave relacionados com a necessidade de uma caracterização cuidada do doente, tanto a nível clínico como biológico. O conceito de “traits tratáveis” foi central, enfatizando a identificação de características específicas que podem ser alvo de intervenção terapêutica. “Cada doente necessita de ser cuidadosamente caracterizado, tanto clinicamente (fenótipos) como biologicamente (endótipos). Isto corresponde aos chamados ‘traits tratáveis’”, explicou.
Relativamente ao 32.º CNMI, Alvar Agustí salientou a importância do congresso enquanto momento de atualização científica relevante para a prática da Medicina Interna. “Dada a elevada prevalência da DPOC, muitos doentes são tratados por internistas. Assim, uma atualização sobre diferentes aspetos da doença é de grande interesse para os internistas”, afirmou.
A sessão contou também com a participação de Rui Carvalho Santos, que abordou o tema “Reabilitação, sarcopenia e fragilidade no doente com DPOC avançada”, chamando a atenção para um importante desafio na prática clínica: o acesso limitado à reabilitação respiratória. “Apesar da reabilitação respiratória ser uma das intervenções com maior evidência de benefício na DPOC, o seu acesso em Portugal permanece extremamente limitado. Estima-se que menos de 1% dos doentes com DPOC tenha acesso a programas de reabilitação respiratória”, referiu.
O especialista destacou ainda o impacto desta lacuna terapêutica numa população particularmente vulnerável, sublinhando que “este défice de acessibilidade se traduz numa oportunidade perdida de intervenção numa população com elevada carga sintomática, declínio funcional, sarcopenia e fragilidade”.
Ao longo da sua intervenção, Rui Carvalho Santos enfatizou o reconhecimento da DPOC como doença sistémica, o papel da reabilitação respiratória e do exercício físico estruturado, bem como a importância de uma abordagem multidimensional que inclua nutrição, treino de força e otimização terapêutica. “A abordagem interdisciplinar é fundamental na melhoria dos outcomes clínicos e funcionais”, salientou.
Sobre o 32.º CNMI, o especialista considerou o congresso um momento privilegiado de atualização e reflexão crítica. “O Congresso Nacional de Medicina Interna representa um momento privilegiado de partilha científica, atualização de conhecimentos e reflexão crítica sobre a prática clínica”, afirmou, destacando o seu papel na valorização de temas emergentes como a fragilidade e a reabilitação.
Quanto às expectativas, Rui Carvalho Santos mostrou-se confiante no impacto do congresso na prática clínica diária. “Espero que este Congresso contribua para uma atualização científica relevante e aplicável à prática clínica diária”, referiu, sublinhando ainda a importância de promover abordagens mais integradas e centradas no doente, com impacto direto na sua funcionalidade e qualidade de vida.
Nesta sessão esteve também presente Guiomar Pinheiro, que debateu sobre “Prevenção e gestão de exacerbações: da vacina à terapêutica anti-inflamatória”.