A Conferência dedicada ao tema “Abordagem da hipercaliémia no SU”, contou com a intervenção de Maria da Luz Brazão, que destacou os principais desafios associados ao diagnóstico e tratamento desta alteração eletrolítica potencialmente fatal.
A especialista sublinhou a elevada relevância clínica da hipercaliémia, lembrando que esta continua a ser uma causa frequente de admissão nos serviços de urgência. “A hipercaliemia é uma condição médica que leva muitos doentes aos serviços de urgência portugueses”, afirmou, explicando que os níveis elevados de potássio no sangue “podem afetar gravemente a função cardíaca e neuromuscular”, constituindo por isso “um distúrbio eletrolítico potencialmente fatal”.
Segundo Maria da Luz Brazão, a importância do tema está diretamente relacionada com o risco de complicações graves associadas a esta condição. “A sua importância clínica deve-se ao facto de poder causar arritmias cardíacas fatais, estar frequentemente associada a insuficiência renal e requerer um diagnóstico e tratamento rápidos”, referiu.
Durante a sessão, foram abordados os principais aspetos práticos da abordagem da hipercaliémia em contexto de urgência, desde o reconhecimento precoce até à prevenção de novos episódios. Entre os pontos-chave destacados estiveram a compreensão das causas e fatores de risco associados à hipercaliémia, a identificação de sinais e sintomas orientadores do diagnóstico e a definição de estratégias diagnósticas e terapêuticas adequadas tanto no serviço de urgência como no acompanhamento após a alta.
A especialista deu ainda particular ênfase à necessidade de evitar recorrências, sobretudo em doentes que necessitam de manter terapêuticas modificadoras de prognóstico. “É importante prevenir recorrências, em particular em doentes que precisam manter terapêuticas modificadoras de prognóstico as quais, por si só, condicionam hipercaliemia”, salientou.
Relativamente ao Congresso Nacional de Medicina Interna, Maria da Luz Brazão destacou a dimensão científica e formativa do evento. “O Congresso Nacional de Medicina Interna é atualmente o maior encontro anual da nossa especialidade, sendo já considerado um dos maiores eventos científicos nacionais”, afirmou, acrescentando que representa “um veículo de formação e atualização do conhecimento científico de todos os internistas e internos de Medicina Interna”.
As expectativas relativamente ao congresso foram igualmente muito positivas, com especial destaque para os novos formatos de atualização científica incluídos no programa. “Realço aqui a qualidade do programa científico, salientando o espaço reservado à atualização ‘O que há de novo em…’, que considero uma grande inovação deste congresso”, referiu. A especialista valorizou ainda a atenção dedicada ao futuro da especialidade, nomeadamente no que respeita à integração de novas tecnologias, à valorização da Medicina Interna e à adaptação da formação às novas gerações de internos.