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Otimização da reperfusão no AVC isquémico: organização e rapidez como determinantes de prognóstico

Publicado dia Maio 23, 2026 Comentários fechados em Otimização da reperfusão no AVC isquémico: organização e rapidez como determinantes de prognóstico

O “Encontro com o Especialista” dedicado ao tema “Estratégias de otimização da reperfusão no AVC isquémico”, contou com a participação de Ana Paiva Nunes, que sublinhou a importância da organização dos cuidados no contexto do AVC agudo e o papel central do internista neste processo.

A especialista destacou a relevância do tema, enfatizando a responsabilidade dos internistas na coordenação e agilização dos circuitos de tratamento. “O tema visa alertar os internistas que está nas suas mãos a organização dos cuidados aos doentes com AVC isquémico agudo nos seus serviços de urgência”, referiu.

Nesta sessão foram salientados pontos-chave essenciais para a melhoria dos resultados clínicos, reforçando o princípio fundamental de que no AVC isquémico o tempo é determinante. “Apesar de todos os avanços terapêuticos recentes, no AVC isquémico há uma realidade inultrapassável que é ‘Tempo é cérebro’, o que significa que quanto mais tempo demorarmos a tratar um doente com AVC isquémico, pior vai ser o seu prognóstico. Ou seja, só pelo facto de termos um protocolo bem organizado com um fluxo rápido no serviço de urgência, estamos a melhorar o prognóstico do doente com AVC”, explicou.

A especialista destacou ainda os quatro elementos essenciais para a otimização do fluxo assistencial: a pré-notificação do doente pela equipa pré-hospitalar; o encaminhamento direto para a sala de tomografia computorizada, previamente preparada para a receção do doente em Via Verde AVC; a administração de trombólise diretamente na sala de TC, exigindo do internista autonomia na avaliação pragmática da imagem cerebral, e o transporte rápido para trombectomia sempre que exista indicação. Foi ainda referido o papel facilitador da substituição de alteplase por tenecteplase, pela sua administração em bolus único, permitindo maior rapidez terapêutica. A especialista reforçou também a necessidade de encarar com igual urgência outras situações, como o controlo tensional e a reversão da anticoagulação no AVC hemorrágico, no contexto do mesmo circuito de cuidados.

Relativamente ao 32.ºCNMI, Ana Paiva Nunes salientou a importância do congresso enquanto espaço agregador da Medicina Interna portuguesa e de promoção da excelência clínica. “É fundamental existir uma reunião anual que agregue os internistas portugueses e que contribua para a sua excelência científica e partilha de práticas clínicas por vezes tão diferentes a nível nacional”, afirmou.

As expectativas para o evento foram igualmente elevadas, com a especialista a sublinhar o impacto formativo do congresso, sobretudo nas novas gerações de médicos. “Tenho a expectativa que este congresso sirva para motivar os internistas, especialmente os mais novos, e contribua para lhes dar as ferramentas para serem os próximos líderes da Medicina Interna em Portugal”, concluiu.
O 32.ºCNMI afirmou-se assim como um momento central de atualização e organização da prática clínica, reforçando a importância dos circuitos de resposta rápida no AVC, tanto isquémico como hemorrágico, e o papel estruturante do internista na melhoria dos resultados em saúde.

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