O “Encontro com Especialista: Pré-eclâmpsia para internistas” contou com a apresentação de Anna Taulaigo, que destacou a relevância desta patologia como uma causa importante e potencialmente prevenível de morbi-mortalidade materna e fetal/neonatal.
A especialista sublinhou que a pré-eclâmpsia é mais frequente em mulheres com doenças crónicas, com particular destaque para a hipertensão arterial, diabetes e obesidade. Para além do impacto imediato na gravidez, reforçou ainda que “está cada vez mais estabelecido o aumento de risco cardiovascular a longo prazo para as mulheres que tiveram pré-eclâmpsia”, o que torna este tema relevante para diferentes contextos da Medicina Interna, desde a consulta pré-concecional ao Serviço de Urgência e ao seguimento a longo prazo.
No que diz respeito aos pontos-chave da sessão, Anna Taulaigo destacou a importância da prevenção desde o período pré-concecional, através do controlo rigoroso dos fatores de risco cardiovascular e da otimização de doenças crónicas como o lúpus, com impacto na redução do risco de pré-eclâmpsia numa futura gravidez. Durante a gestação, salientou o papel comprovado do ácido acetilsalicílico na redução da incidência da doença em mulheres de risco.
Quando a pré-eclâmpsia se desenvolve, a especialista reforçou a necessidade de avaliação clínica e laboratorial rigorosa, de forma a identificar critérios de gravidade e manifestações como a eclâmpsia e a síndrome HELLP. A abordagem foi descrita como necessariamente multidisciplinar, centrada no controlo da hipertensão arterial, prevenção de complicações maternas e fetais, vigilância adequada e definição do melhor momento para o parto, equilibrando risco materno e fetal. Referiu ainda a utilidade de marcadores como a razão sFlt/PlGF no diagnóstico diferencial em casos mais complexos.
Anna Taulaigo destacou também que as complicações cardio-cérebro-vasculares continuam a ser uma das principais causas de mortalidade nestas doentes. Nesse sentido, sublinhou que mulheres com história de pré-eclâmpsia apresentam um risco cardiovascular aumentado a longo prazo, exigindo seguimento individualizado e focado no controlo de fatores de risco modificáveis, apesar da ausência atual de ferramentas validadas para estratificação desse risco.
Relativamente ao 32.º Congresso Nacional de Medicina Interna, a especialista reconheceu o seu valor enquanto espaço de atualização científica e discussão de temas relevantes para a prática clínica diária, destacando a abrangência e interesse do programa.
Quanto às expectativas para esta edição, Anna Taulaigo afirmou esperar um congresso de elevado valor científico, que promova o networking entre internistas e o contacto com diferentes realidades, num contexto de crescente diversidade de áreas de interesse e projetos inovadores dentro da Medicina Interna.