No âmbito da sessão “MI 25/26: O que há de novo em… Diabetes Mellitus”, apresentada por Isabel Lavadinho, foi sublinhada a profunda mudança de paradigma que a abordagem desta patologia atravessa na prática clínica atual.
A especialista destacou que a Diabetologia vive um momento de transição estruturante, em que se passa de uma gestão centrada no controlo glicémico para uma abordagem cada vez mais personalizada e orientada para proteção de órgão. “Continuamos a viver momentos de mudança de paradigma na área da diabetes”, referiu, acrescentando que “transitamos da gestão clássica focada no controlo glicémico para a era da medicina personalizada, focada na proteção de órgão e onde a tecnologia deixa de ser um mero complemento para passar a ser um apoio fundamental na gestão das pessoas com DM”.
Neste contexto, Isabel Lavadinho salientou ainda o impacto das inovações mais recentes, incluindo áreas emergentes como a medicina regenerativa. “Vivemos uma época de inovações disruptivas, como a medicina regenerativa com transplante de células estaminais, que nos permite vislumbrar uma potencial cura da diabetes, pelo menos a tipo 1”, afirmou, reforçando a necessidade de os internistas integrarem estes avanços na prática clínica diária.
A sessão centrou-se na evidência mais recente e nas principais mudanças terapêuticas. Entre os pontos-chave, destacou-se a apresentação de resultados de estudos inovadores em diabetes tipo 1, nomeadamente o enxerto de ilhéus derivados de células estaminais, descrito como um avanço promissor na possibilidade de uma “cura funcional”. Na sessão, Isabel Lavadinho falou ainda dos resultados preliminares do estudo TRANSCEND-T2D-1, cujos resultados integrais serão apresentados na 86.ª Edição das Sessões Científicas da ADA. “Os resultados que já foram divulgados são impressionantes, revelando o retatrutide (um tri-agonista GIP/GLP-1/glucagon) como um fármaco que pode transformar o panorama metabólico das pessoas com DM”, explicou.
Foram também abordadas estratégias de simplificação terapêutica, como o desenvolvimento de insulinas semanais, e a crescente acessibilidade da monitorização contínua da glicose, descrita como uma verdadeira “democratização” da tecnologia. A oradora referiu também uma revisão das mais recentes recomendações internacionais na área da diabetes.
Relativamente ao papel do encontro científico, Isabel Lavadinho considerou que estes momentos são essenciais para a evolução da especialidade. “O CNMI é o pilar da atualização científica em Portugal”, afirmou, sublinhando que se trata de um espaço onde “a Medicina Interna afirma a sua visão holística, mas também a sua capacidade de liderar a inovação tecnológica”. Destacou ainda o valor do congresso enquanto momento de pausa e reflexão num sistema de saúde sob crescente pressão, permitindo partilha de experiências e definição de novos caminhos para a especialidade.
A especialista mostrou-se confiante num evento dinâmico e inspirador, valorizando especialmente os formatos de atualização rápida e a sua disseminação posterior. “Espero um congresso dinâmico, que fomente a discussão clínica de alto nível e que consiga inspirar os internistas”, referiu, destacando ainda iniciativas como as sessões “O que há de novo em…”, bem como a integração no e-learning da SPMI e a criação de espaços de partilha intergeracional entre internistas.