Pedro Carreira foi o orador da Conferência dedicada ao tema “Ventilação não invasiva e oxigenoterapia”, onde abordou a evolução destas terapêuticas e os desafios associados à integração dos cuidados respiratórios entre o hospital e o domicílio.
“A ventilação não invasiva (VNI) e a oxigenoterapia deixaram de ser terapêuticas exclusivamente associadas ao internamento agudo e passaram progressivamente a integrar um modelo contínuo de cuidados, que acompanha o doente desde o hospital até ao domicílio”, começou por explicar.
Segundo Pedro Carreira, esta evolução transformou profundamente a abordagem à insuficiência respiratória crónica e a própria organização dos cuidados de saúde. O médico destacou que, atualmente, um número crescente de doentes com DPOC, síndromes de hipoventilação e outras patologias respiratórias beneficia de suporte ventilatório e oxigenoterapia fora do ambiente hospitalar, permitindo ganhos importantes na qualidade de vida, redução de reinternamentos e maior proximidade de cuidados.
Ainda assim, sublinhou que esta realidade levanta desafios clínicos relevantes, nomeadamente na adequada seleção dos doentes, na monitorização e na garantia de continuidade assistencial após a alta. Neste contexto, destacou o contributo da crescente diferenciação da Medicina Interna e do desenvolvimento da hospitalização domiciliária para tornar possível esta transição de cuidados.
Ao longo da sessão, Pedro Carreira procurou discutir a “ponte” entre o hospital e o domicílio, abordando o papel atual da VNI e da oxigenoterapia para além do contexto agudo, bem como os critérios de seleção de doentes e os desafios associados à transição de cuidados.
“Foi também explorada a importância crescente da telemonitorização e da monitorização remota de dispositivos ventilatórios, bem como o impacto que estes modelos podem ter na prevenção de reinternamentos e na melhoria da experiência do doente”, referiu.
Por fim, a conferência promoveu uma reflexão sobre os limites da evidência científica atualmente disponível e sobre a necessidade de adaptar as decisões clínicas à realidade individual de cada doente. Pedro Carreira defendeu uma abordagem que integre tecnologia, evidência científica e experiência clínica, reforçando a importância de modelos de cuidados cada vez mais personalizados e articulados.