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Back to Basics no tratamento da obesidade: o papel do estilo de vida na prática clínica

Publicado dia Maio 23, 2026 Comentários fechados em Back to Basics no tratamento da obesidade: o papel do estilo de vida na prática clínica

O profissional de Exercício Físico Rui Batalau participou na mesa-redonda “Back to Basics – O Estilo de vida no tratamento da obesidade”, tendo contribuído para a discussão com uma intervenção centrada no papel do exercício físico no contexto do tratamento da obesidade.

O especialista sublinhou a relevância do tema abordado, destacando o contributo determinante do exercício físico para o dispêndio energético diário e, consequentemente, para o equilíbrio metabólico. “O tema que abordei apresenta uma importância decisiva na medida em que o exercício físico é crucial para o dispêndio energético diário. Sabe-se que o dispêndio referido, aliado a um consumo equilibrado de calorias, é o fator que garante o balanço energético necessário para combater o excesso de peso e obesidade”, referiu.

Ao longo da sua intervenção foram também abordados pontos fundamentais para a compreensão da temática, nomeadamente a distinção entre atividade física e exercício físico, a análise dos principais fatores que influenciam o dispêndio energético diário e a identificação das formas de exercício físico mais eficazes na melhoria da composição corporal.

A mesa-redonda contou igualmente com a participação de Marlene Lages, que abordou o tema da crononutrição e o impacto do timing alimentar na saúde metabólica. A especialista explicou que a crononutrição estuda a relação entre os horários das refeições e o relógio biológico interno, salientando que padrões alimentares desajustados, como refeições tardias ou horários irregulares, podem contribuir para o aumento de peso e resistência à insulina.

Segundo Marlene Lages, a crononutrição pode assumir-se como uma ferramenta complementar no tratamento da obesidade, reforçando a importância das mudanças no estilo de vida. Durante a sua intervenção, analisou a evidência científica disponível sobre estratégias como a alimentação com restrição de tempo e destacou a necessidade de integrar não apenas o horário das refeições, mas também a qualidade nutricional da dieta.

A nutricionista apresentou ainda dados preliminares do Projeto NutriClock, desenvolvido no ciTechCare – IPLeiria, que sugerem que a composição da dieta poderá influenciar a expressão dos chamados “genes relógio”, reforçando a ligação entre alimentação e ritmos circadianos.

Ainda nesta mesa-redonda, Leila Cardoso abordou o tema “E a medicação… que recomendações?”, centrando-se na farmacoterapia da obesidade enquanto pilar essencial do tratamento desta doença crónica.

A especialista começou por sublinhar a relevância clínica e social do tema, referindo que “a obesidade é uma doença crónica de elevada prevalência, ainda frequentemente subdiagnosticada e subtratada”, acrescentando que continua associada a “um importante estigma social, inclusive entre profissionais de saúde”, o que condiciona o diagnóstico precoce e a intervenção adequada.
Destacou que a sua intervenção teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a terapêutica farmacológica atualmente disponível, incluindo indicações, mecanismos de ação, posologia, efeitos adversos e desafios clínicos.

Entre os pontos-chave da sessão, salientou o papel crescente da farmacoterapia como parte integrante de uma abordagem multidisciplinar da obesidade. “Uma abordagem terapêutica eficaz exige o conhecimento aprofundado das opções farmacológicas e da sua correta integração numa estratégia individualizada”, referiu, acrescentando que os novos tratamentos têm vindo a revolucionar a prática clínica.

Pedro Americano foi outro dos intervenientes da mesa-redonda, apresentando o tema “Sono e Obesidade”, centrado na relação entre a qualidade do sono e o desenvolvimento e tratamento da obesidade. O especialista destacou a relevância crescente desta temática, sublinhando que “a relação entre sono e obesidade é um tema muito relevante porque nos obriga a olhar para a obesidade para além da alimentação e da atividade física”. Segundo explicou, o sono constitui um pilar essencial da saúde, influenciando diretamente o apetite, a regulação hormonal, a resistência à insulina, os níveis de energia e a capacidade de adesão a mudanças sustentadas no estilo de vida.

Entre os principais aspetos da sua intervenção, Pedro Americano salientou a natureza bidirecional da relação entre sono e obesidade. “Por um lado, a obesidade aumenta o risco de perturbações respiratórias do sono; por outro, as perturbações do sono favorecem alterações metabólicas e comportamentais que dificultam o controlo do peso”, referiu. Acrescentou ainda que esta relação se torna mais complexa quando associada a outras comorbilidades, nomeadamente doenças cardiovasculares e problemas de saúde mental.

Durante a sua apresentação, o especialista irá reforçar a importância de reconhecer sintomas, maus hábitos de sono e fatores de risco que justifiquem uma investigação mais aprofundada e eventual encaminhamento para consulta especializada. Destacará também que o tratamento das patologias do sono pode reduzir sintomas, diminuir o risco de doenças associadas e melhorar a adesão às diferentes estratégias terapêuticas, sobretudo às intervenções relacionadas com o estilo de vida.

Relativamente ao 32.º Congresso Nacional de Medicina Interna, os vários palestrantes destacaram a importância do evento enquanto espaço privilegiado de atualização científica, partilha de conhecimento e colaboração multidisciplinar entre diferentes áreas da saúde.

Rui Batalau salientou que o congresso representa “uma excelente oportunidade de partilhar conhecimentos e experiências com diversas áreas da Medicina”, considerando igualmente fundamental a possibilidade de estabelecer contactos numa perspetiva multidisciplinar. Também Marlene Lages considerou que o 32.º CNMI constitui “uma oportunidade de partilhar conhecimento, debater com pares e contribuir para a valorização” destas áreas na prática clínica, mostrando-se expectante relativamente ao reforço da colaboração entre profissionais de saúde e ao desenvolvimento de novas iniciativas científicas e de investigação.

Por sua vez, Leila Cardoso destacou o congresso como “um dos momentos mais importantes de atualização científica e de partilha de conhecimento na área da Medicina Interna”, sublinhando igualmente a sua dimensão colaborativa e formativa. Já Pedro Americano considerou o evento “um espaço para discussão e atualização científica”, valorizando sobretudo a integração entre especialidades no contexto das doenças crónicas e complexas, como a obesidade.

Quanto às expectativas para esta edição do congresso, os especialistas demonstraram entusiasmo relativamente à oportunidade de aprofundar a discussão em torno das intervenções no estilo de vida e reforçar a importância de uma abordagem multidisciplinar no tratamento da obesidade. Pedro Americano destacou particularmente a relevância de existir uma mesa-redonda dedicada a estas intervenções, com destaque para o sono, defendendo que “é muito importante que outras especialidades reconheçam a importância do sono e a integrem na sua prática clínica diária”. Os restantes intervenientes mostraram-se igualmente confiantes de que o congresso proporcionará debates produtivos, partilha de experiências e novas oportunidades de aprendizagem e colaboração científica.

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