A primeira mesa-redonda do 32.º CNMI, foi dedicada ao tema “Hot Topics em Cuidados Intermédios”, reuniu diferentes especialistas para discutir desafios atuais na abordagem do doente crítico e a evolução dos modelos de cuidados hospitalares.
Raquel Cavaco abriu a sessão com a atualização sobre “Sepsis Revisitada”, destacando a relevância contínua desta entidade clínica no contexto das novas guidelines de 2026. “O tema ‘Sepsis Revisitada’, no contexto do lançamento das novas guidelines de 2026, é um tema quente, que deve ser revisitado frequentemente, uma vez que a sépsis é uma das principais causas de internamento e mortalidade”, afirmou. A especialista reforçou ainda o caráter tempo-dependente da patologia, sublinhando que “a atualização dos profissionais em Medicina Interna é essencial”, uma vez que o prognóstico depende de uma abordagem rápida e adequada desde o primeiro contacto com o doente.
Na mesma linha de discussão, Ana Faceira abordou o tema “Unidades de Cuidados Intermédios Médicos: Gestão, Qualidade e Formação”, salientando o papel destas unidades na evolução da Medicina Interna hospitalar. “As Unidades de Cuidados Intermédios Médicos são um exemplo concreto da evolução da Medicina Interna dentro do hospital”, referiu, acrescentando que “discutir UCIM é, no fundo, discutir organização de cuidados, integração hospitalar e o papel do internista na gestão do doente agudo”. A especialista destacou ainda a necessidade de maior uniformização e integração dos modelos existentes, referindo que a discussão se centra em “organização, gestão e qualidade”.
A sessão contou também com a participação de Marco Fernandes, que apresentou o tema “Suporte Respiratório Não Invasivo”, sublinhando a importância crescente desta abordagem no tratamento do doente agudo e crítico em contexto de cuidados intermédios. O especialista destacou o papel do suporte respiratório não invasivo como uma ferramenta essencial na melhoria dos outcomes clínicos, particularmente em doentes com insuficiência respiratória aguda, permitindo reduzir complicações associadas à ventilação invasiva e otimizar a abordagem terapêutica precoce.
Ao longo da sua intervenção, reforçou a relevância da seleção adequada dos doentes, da monitorização rigorosa e da integração desta estratégia nos diferentes níveis de cuidados hospitalares, sublinhando que a sua eficácia depende de equipas treinadas e de protocolos bem definidos.
Relativamente ao 32.º CNMI, os especialistas convergiram na valorização do congresso enquanto espaço de atualização científica, reflexão crítica e partilha multidisciplinar. Raquel Cavaco destacou-o como “um marco na história desta nobre especialidade”, enquanto Ana Faceira salientou a importância de refletir sobre “a forma como a especialidade se organiza e responde às necessidades atuais dos doentes”.
Também Marco Fernandes reforçou o papel do congresso na evolução da prática clínica, sublinhando a importância da disseminação de conhecimento aplicado e da discussão de novas abordagens terapêuticas em contexto real.
No conjunto, a sessão evidenciou a crescente complexidade do doente crítico em Medicina Interna e a importância de uma abordagem integrada, onde a sépsis, a organização dos cuidados intermédios e o suporte respiratório não invasivo assumem um papel central na melhoria dos cuidados prestados.