A segunda mesa-redonda, do 32.º CNMI, foi dedicada ao tema “Complicações de imunoterapia em Oncologia”, reunindo especialistas para discutir os desafios emergentes associados a estas terapêuticas inovadoras.
Tomás Fonseca apresentou a sua intervenção sobre “Tratamento e desafios atuais na gestão da imunotoxicidade”, destacando a centralidade crescente da imunoterapia no tratamento oncológico. “A imunoterapia oncológica é uma ferramenta fundamental da abordagem terapêutica antitumoral, seja com intenção paliativa, seja com intenção curativa”, referiu, sublinhando que o aumento da sua utilização tem conduzido a uma maior incidência de imunotoxicidades.
O especialista explicou que estas complicações resultam de mecanismos imunomediados e podem variar desde formas ligeiras até situações graves com risco de perda de função orgânica. “Com o avançar dos anos, a imunoterapia tornou-se quase universal em todos os tumores e por isso as imunotoxicidades graves estão a aumentar”, afirmou, destacando o papel central da Medicina Interna na sua deteção precoce, estratificação e gestão multidisciplinar.
Na mesma mesa-redonda, Cristina Rosário abordou o tema “Imunotoxicidade: reconhecimento e abordagem clínica”, salientando a transformação profunda que a imunoterapia trouxe à Oncologia moderna. “As imunoterapias oncológicas transformaram profundamente o paradigma terapêutico de múltiplas neoplasias, permitindo ganhos significativos em sobrevivência e qualidade de vida”, referiu.
Contudo, a especialista alertou para os novos desafios clínicos associados a estas terapêuticas, nomeadamente o carácter multissistémico e potencialmente grave das imunotoxicidades. “Discutir imunotoxicidade é, atualmente, discutir medicina de precisão e interdisciplinaridade”, sublinhou, reforçando o papel central da Medicina Interna pela sua visão integradora e capacidade de resposta a complicações complexas.
Cristina Rosário destacou ainda os principais pontos da sessão, centrados no reconhecimento precoce das imunotoxicidades, na abordagem diagnóstica e terapêutica e na necessidade de equipas multidisciplinares. “O objetivo é fornecer ferramentas úteis para a prática clínica diária, numa área em rápida evolução e cada vez mais presente nos diferentes contextos hospitalares”, afirmou.
Neste painel, esteve também presente Paula Fidalgo, que abordou “Relevância atual e mecanismos de ação das imunoterapias”.
Relativamente ao Congresso Nacional de Medicina Interna, Tomás Fonseca considerou-o uma referência científica nacional, essencial para atualização e partilha de conhecimento entre internistas. Também Cristina Rosário reforçou esta visão, destacando o congresso como um momento central de atualização e colaboração. “O Congresso Nacional de Medicina Interna representa um dos momentos científicos mais relevantes da nossa especialidade, promovendo atualização científica, partilha de experiência clínica e fortalecimento da colaboração entre internistas de todo o país”, referiu.
Quanto às expectativas, Cristina Rosário mostrou-se confiante num evento cientificamente estimulante e multidisciplinar. “Espero um congresso cientificamente estimulante, marcado pela elevada qualidade das sessões e pela partilha de experiências entre colegas de diferentes instituições”, afirmou, acrescentando a importância da reflexão sobre o futuro da especialidade e os desafios colocados às novas gerações de internistas.