A crescente complexidade da patologia médica na grávida e os avanços recentes na abordagem clínica da mulher durante a gestação estiveram em destaque na sessão “MI 25/26: O que há de novo em… Medicina Obstétrica e saúde da mulher”, integrada no 32.º Congresso Nacional de Medicina Interna.
Durante a sessão, Filipe Alfaiate alertou para o aumento dos desafios nesta área, sublinhando que “a patologia médica na grávida é cada vez mais comum”. O especialista explicou que esta realidade resulta de vários fatores, nomeadamente do facto de “as mulheres estarem a engravidar mais tarde” e de “mulheres com patologias crónicas chegarem à idade fértil”, tornando “essencial o seguimento apertado das mesmas”.
A intervenção centrou-se nos avanços científicos mais recentes em Medicina Obstétrica, particularmente no que diz respeito à terapêutica farmacológica durante a gravidez. “O tema que apresentei refletiu a evidência científica recente nesta área, nomeadamente em relação à terapêutica farmacológica na gravidez”, afirmou.
Entre os principais pontos abordados estiveram “a maior evidência de utilização de fármacos na gravidez, a base genética da hiperemese gravídica e a atualização da abordagem de fase aguda do AVC na grávida”, temas que, segundo o internista, têm vindo a modificar a prática clínica e a contribuir para uma maior segurança materno-fetal.
Filipe Alfaiate destacou ainda a relevância do Congresso Nacional de Medicina Interna enquanto espaço privilegiado de partilha de conhecimento científico e de reflexão sobre os desafios atuais da especialidade. “Este congresso é o fórum por excelência para a partilha de conhecimento científico e para a afirmação da Medicina Interna como o pilar central do sistema de saúde”, referiu.
No contexto específico da Medicina Obstétrica, considerou que o encontro representou “uma oportunidade única para sensibilizar os internistas para a gestão partilhada de grávidas de alto risco”, defendendo que as decisões clínicas devem ser sustentadas “na evidência mais recente e na segurança materno-fetal”.
O especialista mostrou-se também satisfeito com a participação no Congresso, salientando a importância do debate multidisciplinar para a melhoria da prática clínica. “A expectativa é que este Congresso reforce a colaboração multidisciplinar e atualize a prática clínica diária, elevando o padrão de cuidados prestados aos doentes, em especial à mulher em todas as fases da sua vida, especialmente durante a gestação”, concluiu.