A mesa-redonda 7, dedicada à “Infeção por VIH: Desafios atuais e temas emergentes para o internista”, integrou o programa científico do 32.º CNMI e reuniu especialistas para discutir os mais recentes avanços terapêuticos e os desafios atuais no acompanhamento destes doentes.
Luísa Azevedo apresentou o tema “Novas abordagens terapêuticas no doente com Infeção por VIH”, sublinhando a evolução significativa da última década e o impacto direto na esperança e qualidade de vida. “A infeção VIH continua a ser uma área de enorme relevância para a Medicina Interna, não apenas pela sua complexidade clínica, mas também pela rápida evolução terapêutica”, afirmou, destacando que a terapêutica antirretrovírica transformou o prognóstico da infeção. “Permite atualmente uma esperança média de vida progressivamente mais próxima da população geral”, referiu, apesar de persistirem desafios como o envelhecimento, as comorbilidades, a resistência virológica e a adesão ao tratamento.
Ao longo da sessão foram abordadas novas estratégias terapêuticas, incluindo regimes simplificados, terapêuticas de longa duração e novas classes em investigação, reforçando-se a necessidade de individualização da abordagem e o papel central da Medicina Interna no seguimento destes doentes.
Na mesma mesa-redonda, Margarida Mota abordou o tema “Infeção VIH e doença hepática – um desafio multidisciplinar”, destacando a profunda transformação do perfil clínico destes doentes nas últimas décadas. “A doença hepática nas pessoas que vivem com VIH constitui atualmente um importante desafio multidisciplinar”, referiu, explicando que a evolução da terapêutica antirretrovírica, o tratamento da hepatite C com antivíricos de ação direta e o aumento da síndrome metabólica alteraram significativamente a epidemiologia da doença hepática nesta população.
A especialista sublinhou que a infeção pelo VCH deixou de ser o principal determinante da doença hepática, dando lugar à doença hepática esteatósica associada à disfunção metabólica (MASLD), que apresenta elevada prevalência e progressão potencialmente mais acelerada nestes doentes. “A MASLD associa-se a múltiplos outcomes desfavoráveis, hepáticos e extra-hepáticos, incluindo eventos cardiovasculares, que são atualmente a principal causa de mortalidade nesta população”, afirmou.
Também Magda Fernandes participou na sessão com o tema “Infeção VIH: risco vascular – estatinas para todos?”, destacando a crescente relevância da doença cardiovascular nas pessoas que vivem com VIH. “A doença cardiovascular representa atualmente uma das principais causas de morbilidade e mortalidade nas PVIH, mesmo em contexto de terapêutica antirretrovírica eficaz e supressão virológica sustentada”, afirmou.
A especialista explicou que o aumento do risco cardiovascular resulta da inflamação crónica persistente, ativação imunitária, alterações metabólicas associadas à infeção e à terapêutica antirretrovírica, bem como dos fatores de risco cardiovasculares clássicos. Durante a sessão, deu especial destaque ao estudo REPRIEVE, que demonstrou uma redução significativa dos eventos cardiovasculares major com pitavastatina em doentes com risco cardiovascular baixo a moderado. “Os resultados deste estudo tiveram um impacto significativo nas recomendações internacionais”, referiu, sublinhando a mudança de paradigma na prevenção cardiovascular nas pessoas que vivem com VIH.
Relativamente ao Congresso Nacional de Medicina Interna, as três especialistas destacaram a importância do evento enquanto espaço de atualização científica, partilha de experiências e reflexão sobre o futuro da especialidade. As expectativas foram igualmente elevadas, valorizando a diversidade do programa e a discussão multidisciplinar como elementos centrais para uma visão integrada da Medicina Interna.