A evolução da hospitalização domiciliária e o seu papel na reorganização dos cuidados de saúde centraram a mesa-redonda 12, subordinada ao tema “Hospitalização domiciliária e o hospital do futuro – De onde vimos e para onde vamos?”, que reuniu especialistas para discutir o percurso, as práticas atuais e as perspetivas futuras deste modelo assistencial.
A sessão foi presidida por Francisca Delerue e moderada por Olga Gonçalves, estruturando-se em três momentos dedicados à caracterização do presente, à inovação e à visão de futuro da hospitalização domiciliária.
Na primeira intervenção, intitulada “O que somos agora”, Olga Gonçalves apresentou um estudo multicêntrico desenvolvido pelo Núcleo de Estudos da Hospitalização Domiciliária, que analisou a referenciação de doentes para este modelo assistencial em 14 centros hospitalares. O trabalho teve como objetivo avaliar a discrepância entre a elegibilidade teórica e a referenciação efetiva de doentes internados nos Serviços de Medicina Interna, identificando barreiras organizacionais e processuais à sua implementação.
Os resultados preliminares revelaram uma elevada pressão assistencial, com uma taxa média de ocupação de 107% nos Serviços de Medicina Interna e de 99% nas unidades de hospitalização domiciliária. Da análise de 1253 doentes internados, cerca de 20% foram considerados potencialmente elegíveis para hospitalização domiciliária, correspondendo a 244 doentes que poderiam beneficiar de um regresso mais precoce ao domicílio.
Apesar deste potencial, o estudo demonstrou que mais de 60% dos doentes elegíveis não foram referenciados para hospitalização domiciliária nos três dias subsequentes, evidenciando uma discrepância significativa entre elegibilidade e prática clínica. A investigação apontou ainda para uma elevada variabilidade entre instituições, sugerindo a influência de fatores organizacionais e culturais na decisão de referenciação.
Seguiu-se o tema “O que fazemos de forma inovadora”, por Sara Joana Faria, que apresentou a Plataforma Clínico-Social (PCS), que está a ser desenvolvido na Unidade Local de Saúde Baixo Mondego. Este projeto pretende dar resposta à elevada fragilidade clínica e social e antecipar a crise antes que o doente necessite efetivamente de hospitalização convencional.
Na terceira intervenção, “Como será possível fazer num futuro (breve)”, Luísa Guimarães refletiu sobre os desafios e oportunidades de expansão deste modelo assistencial, sublinhando a necessidade de reforço estrutural, integração de cuidados e adoção de soluções tecnológicas que permitam alargar a sua capacidade de resposta.
Para terminar, Olga Gonçalves anunciou o lançamento do podcast “Em Casa É Que É Bom”, disponível a partir da próxima semana.